Era uma sexta-feira que prometia terminar
bem gelada quando ela andava pela Rua Augusta, em São Paulo. Havia marcado de
encontrar uma turma, mas, por incrível que pareça, estava adiantada para o
horário combinado. Meio sem rumo, lembrou de uma ótima opção para investir o
tempo que restava: uma livraria. E não era apenas uma livraria, era a livraria.
Alguns andares, várias poltronas e uma infinidade de almas sedentas por
conhecimento. O ambiente fervilhava às 18h daquele dia... Um dia em que muitos estariam
no bar para o tão esperado ‘happy hour’.
Mas ao adentrar naquele local,
teve a impressão de que as pessoas haviam saído correndo do trabalho direto
para lá. Disputavam civilizadamente poltronas e puffs distribuídos em todos os ambientes, até mesmo algumas partes
do chão eram concorridas. As pessoas conversavam sobre autores, histórias, desejos
de comprar mais livros... Realmente, sempre que visitava aquela livraria, ela
se sentia diferente e naquele dia não poderia ser de outro jeito.
Todo o cenário, a variedade de
opções para leitura, aquelas pessoas sentadas devorando livros, como se não
existisse mundo ao redor, uma sede de conhecimento, era impossível não ser
inspirador, parecia que aquele ambiente pertencia a um universo paralelo. Entrava
em um conflito de pensamentos incrível. Queria muito ler, de tudo, ao mesmo
tempo, e rápido. Era como se quisesse consumir tudo o que não aproveitou até
ali, nos seus quase 30 anos de vida. As milhares de páginas distribuídas nos
mais diversos gêneros literários e até mesmo os estilos que não gosta, mas sabe
que seria importante conhecer.
Foi subindo as escadas vagarosamente,
observando aqueles que pareciam se transportar para outro mundo enquanto suas
pernas se dobravam no chão, a coluna pendia para um dos lados e os olhos fixavam
as páginas de uma obra. A cena precisava ser gravada, mais precisamente
digitada, mas nem um papel para rascunho ela carregava na bolsa. Tentava
congelar todas as cenas e, principalmente, aquele sentimento.
Após percorrer todos os andares,
encontrou uma única poltrona abandonada. Provavelmente não devia estar assim há
muito tempo, e foi nela que resolveu continuar sua observação. Ela não sabe
quanto tempo permaneceu ali, mas foi o suficiente para pensar em muita coisa,
para imaginar como seria a vida de cada um, o que devia atrair tanto a atenção
e quais eram os sonhos de cada um que estava mergulhado naquela fascinante
leitura.