quarta-feira, 24 de julho de 2013

Fico por aqui

Apesar do “Caso Rondon” não ter chegado ao fim, e muito menos a um final feliz, preciso me despedir. Todavia, é bom frisar que ainda não existe data para o julgamento de Alberto Rondon. Para finalizar minha participação, neste capítulo vou explicar como o caso está posicionado na justiça atualmente. Por isso, resolvi ouvir a defensora pública Maria Gisele Scavone de Mello e, para minha surpresa, no fechamento do livro, consegui ouvir a defesa de Rondon. Não pensem que o ex-médico decidiu me conceder uma entrevista. Digamos que um passarinho me contou...

Demorou alguns meses para que eu conseguisse falar com a defensora pública que está cuidando do caso de algumas vítimas de Alberto Rondon, mas quando Maria Gisele Scavone de Mello me atendeu, logo me concedeu uma entrevista.

Gisele atua na Defensoria da Mulher há dois anos, e quando assumiu a atual função muitos processos já haviam sido transferidos para a Justiça Federal e ela não teve mais acesso a eles. A defensora explicou que os processos que estão tramitando no Fórum são de assistência da acusação na área criminal, atuando ao lado do Ministério Público, e, na área civil, são para indenizações.

“Eu atendo a mulher em qualquer situação, desde que ela seja vítima de violência. Se ela tem audiência no juizado criminal eu acompanho. O Ministério Público faz a parte dele e eu faço o resto”. Gisele explica que para a mulher ter o auxílio da Defensoria Pública precisa declarar que é carente, assinando um documento que ratifica o fato de não ter condições financeiras e, caso a declaração seja falsa, responde criminalmente. “Nós podemos fazer uma triagem para saber se a informação é verdadeira”.

A Defensora revela que muitas mulheres optaram por um advogado particular e por isso ela não tem acesso ao número total de vítimas que acionaram Alberto Rondon judicialmente. “Não são todos os casos de Rondon que estão na Defensoria, somente daquelas mulheres que não tinham dinheiro, mas queriam acionar a justiça”. Na época, o Ministério Público reuniu em torno de 15 vítimas e montou um único processo, descrevendo a lesão de cada mulher. Por isso, Rondon responde a um único processo, com várias vítimas.

Está havendo uma certa demora tanto nos processos na área civil como na criminal. Na civil, os processos estão parados na prova pericial; e na área criminal, ainda estão sendo ouvidas as testemunhas de acusação. Alguns processos com data do ano de 1999, de 2001, ainda estão na fase de ouvir as mulheres e as testemunhas. São mais de cinco anos e não foram ouvidas todas as vítimas. Esta demora, que está ocorrendo na hora de marcar as audiências, é muito prejudicial, pois após um certo tempo o processo prescreve. “Não sei o que está acontecendo, o juiz deve estar com muito trabalho, com a agenda muito cheia”, comenta Gisele.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Médico ou Monstro?


O dono da Fábrica de Sonhos que desmoronou...
...ou o responsável pela Máquina de Ilusões?


Alberto Jorge Rondon de Oliveira, filho de Agnol Carneiro de Oliveira e Yone Rondon de Oliveira, nasceu em 19 de setembro de 1956, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. É brasileiro, divorciado, portador da Cédula de Identidade R.G. n.º 1031-CRM/MS e do Cadastro de Pessoa Física CIC n.º 403.295.937 – 49 e ex-clínico geral.

Em 1988 foi o mais votado para vereador na Capital pelo PL -Partido Liberal -, mas não se elegeu. Rondon foi deputado estadual pelo PPB - Partido Progressista Brasileiro -, presidiu o diretório municipal do partido e se candidatou a prefeito de Campo Grande, mas não chegou ao 2º turno. Sua última tentativa eleitoral foi em 1994, com uma frustrada candidatura a vice-governador do Estado. Formado em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1980, Rondon começou a exercer a especialidade de cirurgia plástica em 1981, e trabalhou em Mato Grosso do Sul durante mais de vinte anos, porém ser ter feito especialização na área.

Rondon dizia ter cursado medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro e feito residência médica com especialização em cirurgia plástica no Hospital Geral do Bonsucesso, no Rio de Janeiro. Porém, por fax, Alberto Rondon foi desmentido. A diretora-geral do Centro de Aperfeiçoamento do Hospital Geral de Bonsucesso (RJ) na época, Maria José de La Nuez, negou, no dia 29 de abril de 1999, a veracidade da declaração que Rondon usou para se credenciar no Previsul – Instituto de Previdência de Mato Grosso do Sul – como cirurgião plástico. Ela informou também que ele cumpriu o programa de residência médica em cirurgia geral de 5 de março de 1981 a 4 de março de 1983, mas nunca na especialidade de cirurgia plástica. E, além do mais, o hospital jamais forneceria uma declaração dizendo que um aluno obteve bom aproveitamento, como consta na cópia anexada ao cadastro de Rondon no Instituto.

Em abril de 1999, Rondon foi denunciado por um grupo de mulheres formado por funcionárias públicas. Logo que estourou a notícia das mutilações, o número de vítimas cresceu assustadoramente. O presidente do Previsul, Volney Ávila, suspendeu o credenciamento de Rondon na Instituição até o fim do inquérito administrativo aberto para apurar as denúncias. E o presidente do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande – IMPCG – Moacir Roberto Sales, agiu da mesma forma, até que o CRM fizesse um pronunciamento oficial sobre as denúncias. Rondon era credenciado no IMPCG desde 1983 como cirurgião plástico e, segundo Sales, nunca havia tido reclamação contra ele.