“Minha irmã me deu conselhos para que
eu não fizesse a cirurgia(...)
mas eu fui teimosa e quis um resultado
rápido”.
Rosângela Ortega
Fui recebida em um sábado de manhã em sua casa. Rosângela e sua mãe me
esperavam com a porta da casa aberta. Apesar da ótima receptividade, notava-se
um pouco de tensão nas duas, o que é comum, pois sei o quanto é difícil
relembrar fatos desse tipo. Fiquei sabendo de seu caso por meio de uma colega,
sobrinha de Rosângela.
“As minhas pálpebras superiores estavam caídas e as inferiores tinham
duas bolsas de gordura. Eu quis tirar”. Aos 27 anos, Rosângela não estava
satisfeita com sua imagem no espelho, e assustou-se ao fazer uma consulta com o
cirurgião plástico Alberto Rondon, quando ele diagnosticou que ela estava com
envelhecimento precoce de dez anos nas pálpebras. Depois de ouvir isso de um
médico, Rosângela ficou transtornada e decidiu fazer a cirurgia o quanto antes.
“Ele sabia convencer as pessoas”. Ela revela que foi procurá-lo por indicação
de várias mulheres que haviam feito cirurgia plástica com Rondon na clínica Urgem.
Rosângela fez a cirurgia
em maio de 1992 e explica que, naquele ano, Rondon era candidato a prefeito de
Campo Grande e por isso ele estava fazendo cirurgias pela metade do preço de
outros cirurgiões da cidade. Ela não tinha convênio, mas não precisou pagar a
consulta, somente a operação. “Minha irmã me deu conselhos para que eu não fizesse
a cirurgia, para eu procurar um tratamento estético, mas eu fui teimosa e quis
um resultado rápido”.
Quando Rosângela foi
internada, sua cirurgia estava marcada para as sete horas da noite, mas às nove
horas o médico ainda não estava na clínica.
O instrumentista pediu a ela que trocasse de roupa e esperasse o médico
na sala de cirurgia, pois Rondon havia ligado para avisar que estava a caminho.