domingo, 19 de agosto de 2012

Marcas de um passado


“Tudo o que eu sabia sobre Rondon,
 era que ele era o melhor cirurgião plástico da cidade,
o nome dele estava na lista de médicos da Unimed”.
Naiza Moura Rodrigues



Uma mulher simples, com o desejo de acabar com algo que a incomodava, hoje desabafa suas mágoas para uma futura jornalista. Naiza de Moura Rodrigues sofria com dores nas costas, devido ao tamanho avantajado de seus seios e, ao procurar um cirurgião plástico, acreditou que seus problemas chegariam ao fim. Aconteceu o imprevisto e hoje Naiza olha para seu passado com uma enorme tristeza.

“Eu precisava fazer uma cirurgia plástica porque meus seios eram grandes e frágeis, e uma amiga me indicou Alberto Rondon, afirmando que ele era muito bom”. Naiza marcou a cirurgia. Fez todos os exames pela Unimed, mas a operação foi particular, pois o convênio não cobria cirurgias estéticas. A operação aconteceu na clínica Urgem, pertencente a Rondon. “Tudo o que eu sabia sobre Rondon, era que ele era o melhor cirurgião plástico da cidade, o nome dele estava na lista de médicos da Unimed”.

Na hora da cirurgia, quando a paciente estava no centro cirúrgico, Rondon foi vê-la, passou a mão no rosto dela e anunciou: ”Naiza, eu estou aqui, eu sou o doutor Rondon e sou eu quem vai te operar agora”. Ela já estava anestesiada e por isso não conseguiu reconhecer ninguém. Após a cirurgia, ainda no quarto, Naiza sentia uma dor fortíssima e escorria muito sangue de suas mamas. O enfermeiro que cuidou dela, mandava-a parar de chorar e ficar quieta. A filha conta que a família precisou segurar Naiza, pois ela tremia, batia os dentes e tentava pular da cama. O funcionário afirmava que a paciente estava voltando da anestesia e por isso eram normais essas reações.

“Era uma clínica sem estrutura para fazer cirurgias. Se começasse uma hemorragia e não parasse mais, eu teria morrido. Tudo o que acontecia, se eu estava babando, vomitando, gemendo de dor, para o enfermeiro era normal. Eu não agüentava mais ficar ali, não agüentava me olhar”.

O sangue de Naiza formava poças na cama e ensopava o lençol em que ela estava deitada. O enfermeiro aconselhou que a filha de Naiza a levasse para debaixo do chuveiro e lhe desse um banho de água gelada. A vítima não agüentou e desmaiou no colo da filha. “Depois que Rondon me operou, ele sumiu. Era época de Natal e ele viajou. Eu fiquei no hospital com minha filha, um enfermeiro e Deus. Sofri muito”. Rondon não foi vê-la depois da cirurgia, deixou um enfermeiro em seu lugar. Após 24 horas na clínica, o enfermeiro falou para Naiza que ela já podia ir para casa e esta seguiu as instruções, mesmo com muita dor. “Não ficou como eu queria”, lamenta.