terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A gaiola

Em uma única gaiola viviam dois ratos.
Irmãos, filhos do mesmo ventre e nascidos no mesmo dia.
Parceiros inseparáveis unidos pelas grades da gaiola.
Comiam as mesmas refeições
Tomavam da mesma água
Dormiam na mesma gaiola.
Uma manhã foi diferente
Um dos irmãos amanheceu quieto
Tristonho
Sem fome, nem sede
Sem graça para as brincadeiras diárias
Seu irmão não entendeu
A gaiola ficou mais espaçosa
Na verdade
Ficou sobrando espaço
O parceiro inseparável não está mais dividindo as grades
A solidão entristece quem ficou.
Chegaram ao mundo no mesmo dia
Gerados pelo mesmo ventre
Repartiam tudo
Muitas vezes desigual
Mas eram cúmplices
Com certeza, nunca pensaram em qual iria primeiro
Nem que iriam um dia
Ir para onde?
Ninguém sabe
As divertidas brigas dão lugar ao vazio
Quem fica espera a chegada do dia
Tem como esperar algo diferente?

(escrito em 2005)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Um cubículo escuro

Um tiro no escuro
Gritos de desespero
Um corpo estendido no chão
Velas acesas num cubículo mal cheiroso
Somente ela velaria seu corpo
Derramaria lágrimas pela sua infinita ausência
Precisava fazer isso em seu cubículo mal cheiroso
Precisava se esconder de todos
Para poder velar em paz sua grande paixão
Ninguém podia ser cúmplice
Ninguém poderia ajudar
Poderiam somente a condenar
Jogando-a em outro cubículo
A dor da separação lhe rancava gritos ensurdecedores
Não tinha volta
O acontecimento lhe perturbava a alma
E a penumbra do cubículo mal cheiroso lhe desesperava
A obsessão levou-a a tirar a vida de seu amor
Outro tiro no escuro
Agora sem gritos de desespero
Outro corpo estendido no chão
Ninguém para acender velas
Ninguém para derramar lágrimas
E aumenta-se o mau cheiro no cubículo escuro.


(escrito em 2005)

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Menino da favela

                
O nascimento do primeiro filho
A esperança de renovação
Um parto difícil, mas um resultado satisfatório
Uma criança inocente entregue a um mundo cão
Os tiros da favela que assustavam o bebê
Hoje são canções de ninar
É necessário se adaptar
Os anos passam
Alguns presentes ficam na vontade do menino
Tem o sonho de ler
Sua mãe passa horas na fila por uma vaga na escola
Dorme na fila
O pai considera uma tola ilusão
“Menino da favela não precisa estudar!”
A mãe luta para provar o contrário
A criança sonha...

domingo, 27 de novembro de 2011

Priorize seus momentos

Estamos cada vez com menos tempo ou o relógio está nos pregando uma peça. O dia acaba e muitas vezes não fizemos nem metade do que estava programado. O final de semana então, passa tão rápido que nem é possível recuperar as energias para a próxima semana. Precisamos de mais tempo. É preciso estudar e trabalhar com afinco para um futuro promissor.

A concorrência está cada vez mais assustadora e um diploma de graduação não é mais garantia, como um dia foi um grande diferencial. O salário é desanimador e ainda existe a preocupação em poupar ao menos uma mísera quantia para uma aposentadoria digna, já que não teremos a mesma garra para driblar os problemas e encontrar soluções de sobrevivência como hoje.

Sobrevivência. Isso mesmo. Muitos apenas sobrevivem a essa cansativa correria e não vivem. Passam anos e mais anos buscando uma segurança que, na verdade, não é garantia alguma de felicidade. Querem ter dinheiro para então alcançar a felicidade. Tola ilusão. O dinheiro nunca fará você voltar no tempo, pode ajudar a esconder algumas rugas provocadas por ele, mas você continuará com a mesma idade, com as mesmas satisfações ou frustrações decorrentes de suas escolhas passadas...

Mais um entre tantos outros

Desde que me mudei de apartamento em São Paulo, há uns cinco meses, me deparo diariamente com uma triste realidade. Na calçada que utilizo para chegar ao metrô vive um homem, sempre sentando no chão, com os pés enfaixados, uma muleta ao lado e uns sacos pretos ao seu redor. Ele não mora ali, eu só o vejo durante o horário de expediente e nos dias úteis.
Sei que cenas assim são comuns em vários lugares, inclusive em grandes centros como São Paulo, mas o que me chamou mais a atenção é que ele nunca fez um gesto para pedir esmolas à ninguém. E mais interessante ainda, ele sempre está lendo jornal. Demonstra uma tranqüilidade como se tivesse parado ali apenas para descansar um pouco.
Não levou muito tempo para eu me aproximar daquele homem. Sempre simpático, ‘na dele’, agradecia imensamente cada contribuição. E acabei o ‘adotando’. Comida, água, chocolate, edredom, toalha que ex-namorado esqueceu em casa... Como eu notei que ele gostava de ler, dei um livro que eu escrevi, com direito a dedicatória, e foi nesse dia que nos apresentamos.
Daí em diante ele já não era mais um anônimo nas ruas, pelo menos para mim. Um ‘bom dia’ ao meu novo amigo se tornou rotineiro, assim como os conselhos para que ele saísse do sol. Todo dia eu pensava que deveria ouvir sua história, mas na correria do dia-a-dia nunca conseguia parar. Se você acredita que nada acontece por acaso nessa vida, hoje me senti nessa situação.

Quando fui sair do metrô para andar algumas quadras até meu apartamento, caia a maior chuva. Como estava ‘ilhada’, resolvi me encostar em um canto da estação e começar uma leitura esperando a chuva passar. Foi quando ao olhar para o lado vi meu amigo das ruas.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Convite de amigo

Havia se passado uma semana desde o último encontro com o velho amigo. Já sabia das transformações na vida dele, mas não imaginava o que estava por vir na minha...

Na semana anterior, pelo msn, conversei com um amigo que conheço há tempos, mas que também há tempos não nos falávamos. Combinamos de ir num barzinho para ouvir Beatles e colocar a conversa em dia. Lá pelas tantas, ele me confessou que sua vida havia mudado completamente. Ele não bebia mais, não fumava... tinha realmente “encontrado Jesus” como alguns dizem. Não tentou me converter. Só contou as formas de manifestação do Criador por insistência minha. E eu respeitei sua nova opção, apesar de não conseguir me convencer de tudo o que ele contou, mas... cada um com suas crenças.

Pois bem, voltemos à semana atual. Voltando do trabalho, ele me ligou e logo veio com um convite!
- Vai fazer o que no sábado?
Até então eu não tinha nada programado...
- Vamos numa balada??? Convidou ele.
Eu mais que depressa soltei um: “Opa! Vamos sim!”
O problema é que eu concordei antes dele terminar a frase...
- Uma balada santa!!!
Ops! Agora já havia aceitado...

Que Deus me perdoe, mas não sou uma pessoa muito aberta a novas experiências religiosas. Porém, em respeito a Deus e consideração ao meu amigo, resolvi manter minha afirmativa. Afinal de contas, independente da religião, rezar não faz mal a ninguém...
 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Estação desespero

Estava apreensiva com o que iria encontrar no meu primeiro dia de trabalho na terceira maior metrópole do mundo... pelo menos essa foi a informação que encontrei no site Infoescola.
Minha tensão era tamanha porque uma amiga me alertou várias vezes sobre a grande probabilidade de ser esmagada no metrô. Depois, eu não tinha noção de como seria a agência em que iria trabalhar, qual a função iria exercer e nem onde eu iria almoçar – o que se torna muito, mas muito importante, quando você tem apenas 15 minutos de intervalo.
O dia passou rápido com o bombardeio de novidades. A agência que fui trabalhar parecia um labirinto e senti que um mês não seria suficiente para decorar todos os lugares. Nem preciso dizer que os nomes e funções de cada um da equipe também foram praticamente impossíveis de serem armazenados.
Na volta, o “tão esperado” momento realidade de São Paulo aconteceu: era 17h30 e o metrô estava lotado, então resolvi esperar o próximo. Nem cinco minutos depois chegou outro vagão (quanta eficiência! rs). Ainda não estava muito vazio como eu queria, mas imaginei que naquele horário seria impossível que meu desejo fosse atendido e achei melhor encarar... estava cansada e não via a hora de chegar em casa...

Para começar...

No meu pedaço pode tudo! Essa é a vantagem de se fazer um blog! rs
Por isso vou postar aqui um pouco de tudo! Algumas anotações que estavam guardadas para, quem sabe, no futuro, criar vida em livros (de papel!) ganharão vida digital através desse blog.
É preciso se adaptar às mudanças se não quiser ser engolido por elas. Parece clichê e com certeza você já deve ter ouvido isso antes, mas me rendi a aproveitar melhor as facilidades, do bem, que a internet trouxe. Posso até mudar de ideia daqui a algum tempo, mas que eu ainda continuo preferindo os livros ‘de papel’ e sou apaixonada por uma estante de livros em casa, mesmo que servindo de moradia para ácaros... ah, isso não posso negar!
Vou aproveitar para compartilhar com vocês alguns contos que comecei a escrever quando era criança e já estavam bem empoeirados... Foi nessa época, fascinada por uma máquina datilográfica que tinha em casa, que minha vontade de escrever surgiu. Na verdade, eu continuava gostando de brincar de Barbie, mas as noites não eram mais as mesmas na companhia do meu novo brinquedo: a máquina!
Gostaria de compartilhar com vocês também algumas experiências de vida. Mudanças, viagens, situações engraçadas, e até mesmo trágicas. Minhas amigas sempre comentam após ouvir minhas histórias: “você tinha que escrever um livro sobre sua vida” ou “essas coisas só acontecem com você...” então imaginei que possa ser interessante expor esses momentos aqui, já que o blog é interativo e eu tenho a vantagem de conhecer diversas opiniões.
Essa troca de opiniões assusta um pouco, é claro, mas não deixa de ser maravilhosa. Isso que move o mundo e, muitas vezes, aproxima as pessoas. Também devo admitir que precisava escrever por escrever. Para praticar, treinar, pensar, relembrar...
É terrível quando vem aquela inspiração em um momento que não é possível fazer uma pequena anotação. Como naquele ônibus lotado em que você mal consegue se segurar ou no meio de uma reunião importante! Quando você está ‘livre’ para colocar no papel aquela inspiração brilhante... cadê?? Acontece...
Sejam bem-vindos!