“Quando meu marido tocava em mim, nas cicatrizes,
eu me sentia mal, como se ele estivesse reclamando.
Ele não estava, mas eu ficava com esse
pensamento me incomodando”.
Paola
De todas as mulheres que entrevistei, Paola* pareceu-me a mais vaidosa. Sempre disposta a agradar o marido, hoje se arrepende de ter dado tanta importância às críticas que ele fazia. Brincadeiras levadas a sério por ela, que resultaram em uma decisão que transformou sua vida. Com apenas 28 anos, Paola fez a tão desejada cirurgia plástica.
“Eu tinha uma barriga saliente, que hoje eu vejo que não era muito, mas meu marido brincava tanto comigo, falando que eu estava “barriguda”, e acabei acreditando”. Paola queria fazer uma cirurgia plástica para ficar mais atraente, mas sua condição financeira a limitava, foi então que ficou sabendo do cirurgião plástico Alberto Rondon. Na época, de acordo com Paola, Rondon cobrava preços acessíveis e era famosíssimo em Campo Grande, quase um “Deus” na cirurgia plástica, e ela não teve dúvidas na hora de escolhê-lo.
Como ela iria fazer cirurgia plástica no abdômen, resolveu fazer nos seios também. “Eu assistia nas novelas as mulheres com os seios bonitos, empinados e quis ficar igual”. A operação aconteceu na clínica Urgem, no ano de 1989 e foi particular, o que lhe custou na época em torno de R$8.000,00. A indicação veio através de uma conhecida que disse ter feito plástica com Rondon. Paola viu a plástica dela e considerou ter ficado bonito, mas depois dos acontecimentos, ficou na dúvida se a mulher falou a verdade sobre quem fez a cirurgia. Paola confessa que não pesquisou outros médicos e nem se informou o suficiente. “Foi burrice minha”.
Paola foi cedo para a clínica no dia da cirurgia, mas não viu o médico antes e nem depois da operação. Até hoje ela não sabe dizer se foi realmente Rondon que a operou. A vítima acordou antes do final da cirurgia. Ficou sem abrir os olhos, mas consciente do que estava acontecendo, sentia-se puxar, costurar, mas não sentia dores. Paola ouviu a equipe dizendo que havia sangrado muito. “Eu consegui presenciar um pouco da operação. Quando acordei, na mesa de cirurgia, Rondon não estava junto com os outros. Só fui vê-lo no outro dia”.