segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Vaidade à flor da pele

“Quando meu marido tocava em mim, nas cicatrizes,
 eu me sentia mal, como se ele estivesse reclamando.
Ele não estava, mas eu ficava com esse
 pensamento me incomodando”.
Paola


De todas as mulheres que entrevistei, Paola* pareceu-me a mais vaidosa. Sempre disposta a agradar o marido, hoje se arrepende de ter dado tanta importância às críticas que ele fazia. Brincadeiras levadas a sério por ela, que resultaram em uma decisão que transformou sua vida. Com apenas 28 anos, Paola fez a tão desejada cirurgia plástica.

“Eu tinha uma barriga saliente, que hoje eu vejo que não era muito, mas meu marido brincava tanto comigo, falando que eu estava “barriguda”, e acabei acreditando”. Paola queria fazer uma cirurgia plástica para ficar mais atraente, mas sua condição financeira a limitava, foi então que ficou sabendo do cirurgião plástico Alberto Rondon. Na época, de acordo com Paola, Rondon cobrava preços acessíveis e era famosíssimo em Campo Grande, quase um “Deus” na cirurgia plástica, e ela não teve dúvidas na hora de escolhê-lo.

Como ela iria fazer cirurgia plástica no abdômen, resolveu fazer nos seios também. “Eu assistia nas novelas as mulheres com os seios bonitos, empinados e quis ficar igual”. A operação aconteceu na clínica Urgem, no ano de 1989 e foi particular, o que lhe custou na época em torno de R$8.000,00. A indicação veio através de uma conhecida que disse ter feito plástica com Rondon. Paola viu a plástica dela e considerou ter ficado bonito, mas depois dos acontecimentos, ficou na dúvida se a mulher falou a verdade sobre quem fez a cirurgia. Paola confessa que não pesquisou outros médicos e nem se informou o suficiente. “Foi burrice minha”.

Paola foi cedo para a clínica no dia da cirurgia, mas não viu o médico antes e nem depois da operação. Até hoje ela não sabe dizer se foi realmente Rondon que a operou. A vítima acordou antes do final da cirurgia. Ficou sem abrir os olhos, mas consciente do que estava acontecendo, sentia-se puxar, costurar, mas não sentia dores. Paola ouviu a equipe dizendo que havia sangrado muito. “Eu consegui presenciar um pouco da operação. Quando acordei, na mesa de cirurgia, Rondon não estava junto com os outros. Só fui vê-lo no outro dia”.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Seduzida pela vaidade


“Eu achei tudo maravilhoso e fiquei fantasiada com a ideia,
 mas nunca tive a vontade de fazer plástica na vida,
só precisava operar da hérnia”. 
Simone


O número de vítimas que estipulei ouvir para a construção do livro já estava concluído, porém algo me dizia que Simone* precisava ser ouvida, que o depoimento dela era precioso. Eu não estava enganada. Diferente das outras mulheres, Simone foi a única que nunca tinha pensado em fazer plástica, ela só precisava operar de uma hérnia. A ideia de uma cirurgia plástica surgiu por indicação de um gastroenterologista.

“Eu estava sentindo dores na barriga e fui ao gastroenterologista Adolfo José Chang Jimenez para saber o que tinha de errado comigo. O médico pediu que eu tirasse um raio-X e o resultado foi uma hérnia epigástrica no estômago”. Simone conta que Chang avisou que operaria a hérnia e indicou que ela procurasse o cirurgião plástico Alberto Rondon para fazer uma plástica. Ela conversou com o diretor do IMPCG – Instituto Médico da Prefeitura de Campo Grande - ao qual era conveniada, e ele não só indicou Rondon como deu o endereço da clínica dele.

Simone foi ao consultório de Rondon e gostou da aparência. “Tinha muitas mulheres, uma sala grande, arrumada, muitos quadros do cirurgião plástico Ivo Pitanguy – Rondon falava que estudou com ele, o que depois ficou provado que era mentira -, tudo muito bonito”. O médico abriu um livro e mostrou fotos de mulheres que haviam feito cirurgia plástica e ficaram lindas, e afirmou que ela ficaria ótima. “Isso me seduziu”. Simone revela que antes não tinha barriga, havia tido uma única filha e tinha uma pequena cicatriz da cesárea que o biquíni escondia. 

“Rondon conseguiu me deixar com uma barriga inchada”. Ela estava ansiosa para operar, pois todos falavam que ela iria ficar linda e maravilhosa. “Eu achei tudo maravilhoso e fiquei fantasiada com a ideia, mas nunca tive a vontade de fazer plástica na vida, só precisava operar da hérnia”. 

Ficou decidido que Chang iria começar a cirurgia, operando a hérnia e Rondon finalizaria com a plástica. Porém, Chang deixou claro para Simone que quem iria abrir e fechar o corte seria Rondon, o gastroenterologista só iria operar a hérnia. Simone conta que tem um irmão que é médico e mora em Cuiabá, e ele combinou com Rondon, por telefone, que iria assistir a cirurgia. 

A cirurgia era para ser feita em janeiro, mês que o irmão dela estava de férias em Campo Grande, mas o médico foi adiando a data, e só quando irmão de Simone precisou ir embora ele marcou a operação, para o dia 08 de fevereiro de 1999. “Rondon não queria que meu irmão assistisse porque ia fazer coisa errada”.