“Não tem como negar que ele era uma pessoa
muito educada. Uma pessoa que em cinco minutos
de conversa te convence a fazer qualquer coisa”.
Sandra Maria da Mata
Um local um tanto inusitado para a captação do depoimento de uma mulher que sofreu tanto, mas foi em um salão de beleza que escutei Sandra Maria da Mata, mais uma vítima de Rondon. Enquanto fazia mechas no cabelo de uma cliente, Sandra me contou sua história em meio a outras mulheres que se embelezavam.
“Fiz cirurgia plástica em 1996 porque tinha seios muito grandes e estava prejudicando minha coluna”. Aos 23 anos, Sandra foi à procura do cirurgião plástico Alberto Rondon por indicação de uma conhecida que havia recém operado com ele. Já havia visitado três cirurgiões, mas quando conheceu Rondon teve a certeza de que ele seria o melhor, e decidiu pela cirurgia. “Não tem como negar que ele era uma pessoa muito educada. Uma pessoa que em cinco minutos de conversa te convence a fazer qualquer coisa”.
“Fiz cirurgia plástica em 1996 porque tinha seios muito grandes e estava prejudicando minha coluna”. Aos 23 anos, Sandra foi à procura do cirurgião plástico Alberto Rondon por indicação de uma conhecida que havia recém operado com ele. Já havia visitado três cirurgiões, mas quando conheceu Rondon teve a certeza de que ele seria o melhor, e decidiu pela cirurgia. “Não tem como negar que ele era uma pessoa muito educada. Uma pessoa que em cinco minutos de conversa te convence a fazer qualquer coisa”.
Em menos de um mês após a consulta, Rondon a operou. O preço da cirurgia que Rondon cobrou de Sandra era equivalente ao cobrado pelos médicos que ela visitou anteriormente, em torno de R$2.400,00 e R$2.600,00. Ela revela que não pediu desconto, porém o médico falou que reduziria R$400,00 do valor, cobrando R$2.100,00. “Ele costumava cobrar das mulheres o que elas tinham para pagar. Acho que por medo de perder pacientes”.
Sandra fez a cirurgia plástica particular na clínica Urgem. Rondon ficou com ela antes da cirurgia para acalmá-la e explicou como seria o procedimento. Ela conta que foi uma operação normal, com anestesia geral e sem complicações. Todavia, os problemas vieram depois. “Passei um ano de tristeza depois desse dia, uma verdadeira tortura que dura dez anos”. Passado algum tempo que Sandra havia feito a cirurgia, percebeu que seus seios não estavam ficando bonitos como esperava ansiosamente, e viu que algo estava errado.
Voltou várias vezes ao consultório de Rondon e ele sempre falava que era assim mesmo, para ela ter calma e receitava alguns remédios. Sandra revela que se ela já estava com cicatrizes, estas aumentaram depois que Rondon retirou os pontos, pois dava para perceber que ainda não havia cicatrizado. Ela o visitava todos os meses e era atendida normalmente. Porém, Sandra acredita que quando Rondon percebeu que ela não pararia de ir ao seu consultório enquanto não ficasse bem, começou a pedir para a secretaria avisar que estava viajando e que não poderia atendê-la.
Antes de fazer a cirurgia, ela fez todos os exames necessários, e foi o recibo dos exames que Sandra levou como prova para depor contra Rondon. Ela ficou três meses sem trabalhar, mas a cicatriz não doía. Na hora de pegar o recibo da cirurgia, a secretária do médico falou que teria que pegar com ele o documento e Rondon não estava. A cada dia era uma desculpa diferente, foi enrolando até que a clínica fechou e Sandra desistiu do papel.
“Na última vez em que fui procurá-lo, encontrei no consultório uma moça que havia feito uma cirurgia no nariz com Rondon e estava reclamando que o nariz ficou torto, e o médico queria cobrar uma cirurgia corretiva. Ao ver aquela cena, fui embora chorando, pois percebi no que tinha me metido”. Sandra seguiu todas as recomendações que Rondon passou para se cuidar no pós-operatório. Ele aconselhou que ela fizesse os curativos em um posto de saúde, pois eles cuidariam melhor, mesmo assim demorou muito para cicatrizar. Ela conta que, depois de um ano de feita a cirurgia, Rondon queria cobrar uma operação corretiva.