quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Massagem relaxante


Sempre sonhei em fazer uma massagem relaxante... daquelas que demoram horas e você acaba dormindo de tão anestesiada, mas nunca quis investir meu dinheiro nisso.

Num belo dia de trabalho, em meio à arrumação dos meus arquivos, uma colega de trabalho me entrega um “vale massagem” que pediram que ela entregasse a todos os funcionários. Nossa! Que maravilha! Parecia que alguém adivinhou que eu estava precisando!

Nem fiz perguntas sobre meu vale, com certeza era propaganda para atrair mais clientes para o estúdio de beleza, e mais que depressa liguei para marcar minha massagem. Fui avisada que precisaria ir de biquíni ou levar um short. Decidi por um short e fui toda empolgada!

Quando cheguei ao estúdio, uma senhora me recepcionou e me mostrou todo o lugar. Detalhe: nem uma alma viva para contar história. Devia ser o horário... Apesar de 18h ser um horário sempre disputado em academias e centros de beleza. Talvez fosse o dia da semana... Não sei, não estava preocupada, só queria minha massagem. Acompanhei a senhora até um quarto, onde seria realizada minha massagem. Ela pediu que eu colocasse o short e ficasse só de soutien, e retirou-se.

Fiquei esperando a minha massagista. A porta se abriu e eu me deparei com alguém que não me era estranha. Na verdade, era bem estranha e me deixou numa situação bem delicada. Digamos que minha massagista gosta mais do que o normal de mulheres. Tudo bem que estamos no século XXI, nada contra a opção sexual de cada um, mas o fato de uma mulher que gosta de mulheres ficar passando a mão em mim foi algo que me deixou bem tensa, para não dizer desesperada!

À meia luz, com uma música ambiente suave, eu deitei e ouvi um “relaxa”, palavra que me deixou ainda mais tensa! Durante todo o tempo eu tentava entender o que eu estava fazendo ali, pensando que ninguém do meu trabalho havia comentado que tinha ganhado um vale massagem... Seria uma armadilha para mim? Quando ela me pediu para ficar de bruços e abriu o fecho do meu soutien foi a pior parte. Os cinqüenta minutos da massagem relaxante foram os mais demorados da minha vida e sai de lá mais tensa do que quando entrei. Outro presente de grego? Nunca mais!


(escrito em 18.01.2009)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Era uma vez uma sexta-feira 13...

Em toda sexta-feira 13 eu me lembro de minha mãe. Ela é supersticiosa e se dependesse dela ninguém sairia de casa nesse dia. Enfim, o dia 13 caiu na sexta-feira e ela não devia ter lembrado desse detalhe, já que eu iria pegar o avião sem nenhum comentário de advertência. Talvez ela preferiu não correr o risco de perder a visita da filha.
Mesmo tendo consciência do trânsito e das distâncias em São Paulo, arrisquei um chopp antes de ir para o aeroporto. Conversa agradável, chopp gelado e relógio correndo... Saí do bar às 19h e meu vôo iria decolar às 20h07. Às vezes tenho a sensação de que gosto de viver perigosamente, já que às 19h20 eu ainda estava dentro do metrô lembrando que não tinha sacado dinheiro para recorrer a um táxi.
A minha sorte é que meu anjo da guarda não brinca em serviço e me arrumou um táxi que aceita cartão, parando no mesmo instante em que saí do metrô. O taxista compreendeu meu desespero e pegou as melhores rotas! Só relaxei ao entrar no avião! Ufa! No final tudo deu certo! Ou quase... rs
Como nessa época do ano as passagens estão ‘salgadas’ tive que fazer conexão em Brasília. Cheguei ao aeroporto 15 minutos antes do embarque... e a tensão continuava. Ainda na maré de sorte, o vôo estava atrasado e consegui comer uns pães de queijo. Passava das 22h e eu lembrei que estava sem janta. Aproveitei também para ligar para minha irmã e avisar do atraso. Ela falou que estava “caindo o céu” de tanta chuva na minha cidade, Campo Grande-MS, mas sinceramente não me preocupei com essa informação. Logo pararia...
Embarque imediato. Todos os passageiros devidamente acomodados e a comissária pede para que 10 voluntários sentem no fundo do avião para equilibrar a aeronave. Mais do que depressa me levantei e segui para a antepenúltima fileira, já que era para o bem geral do avião. Ao sentar, lembrei-me do filme “Premonição”, onde algumas pessoas trocam de lugar no avião... Foi um pensamento bobo e rápido. Eu estava entretida nas minhas leituras e o vôo chegava ao destino quando o piloto começou a avisar do mau tempo e que iria sobrevoar a cidade até conseguir pousar.
Tudo bem, imaginei que seria jogo rápido e continuei minha leitura. Depois de um pouco de turbulência, relâmpagos e meia hora sobrevoando Campo Grande, o piloto avisou da situação tensa e da decisão de retornar a Brasília. Nossa! Por essa eu não esperava! Já estava acostumada com minha ponta aérea São Paulo – Campo Grande, entre outras, e nunca havia passado por isso. É uma sensação de estar presa em uma caixa. Não dá para sair, para pedir para descer e nem ao menos fazer uma ligação para a família! Como não tinha o que fazer e tentando esquecer a situação, resolvi dormir. Raramente algo me tira o sono e dependendo do que acontecesse, acho que seria melhor estar dormindo mesmo...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Buquê de rosas

O inverno me deixa triste. Parece que com o frio eu congelo por dentro também. Lembro-me de quando ele sorrindo brincava comigo, dizendo que eu ficava mais bonita ainda quando estava triste. Sei que era mentira, ele só estava tentando ganhar um sorriso meu.

Aquele dia o frio estava torturando qualquer um, eu não queria nem pensar que teria que tomar banho ao levantar da cama. Ele como sempre tentava me animar, levantava da cama correndo e fazendo palhaçada, tentando me convencer que o frio era psicológico. Aquele dia eu não quis levantar, liguei para meu serviço e inventei uma desculpa qualquer para não ir trabalhar. Ele brigou comigo por conta disso, mas o ignorei e voltei a dormir na minha cama quentinha. Antes de sair ele ainda tentou ganhar um beijo que eu neguei, não sei por quê.

Acordei ao meio-dia com ele me ligando, dizendo que me amava muito e queria que eu fosse almoçar com ele, mas eu realmente não queria sair de casa pra nada, ele ficou insistindo até cansar. Fiz um chá e resolvi assistir um filme em baixo das cobertas. Acabei cochilando e tive um sonho. Não entendi ao certo o sonho, era confuso, só tinha certeza de que era muito ruim. O telefone tocava, mas eu não sabia distinguir se era sonho ou realidade, até que acordei. Já tinha parado de tocar. Eu não estava me sentindo bem, a televisão estava fora do ar e fora de casa estava uma nevasca muito forte.

O telefone voltou a tocar e dessa vez atendi a tempo. Meu chão desapareceu, parecia que do outro lado da linha alguém me enfiava um punhal no peito. Fiquei sem ar, comecei a passar mal. A voz fria, sem piedade me contava como meu amor havia morrido, como seu carro tinha sido coberto pela neve e ele sem conseguir sair, morrera congelado. Era muito pra mim. Na minha cabeça vinham as cenas dele pulando da cama, animado, brincando comigo, depois me chamando para almoçar e nem um beijo ganhou.

Saí de casa correndo, nem sentia mais o frio, a dor era maior. Fui ao local e ainda retiravam a neve de cima do carro. Ele estava roxo, com os olhos abertos, na mão segurava o celular, com a última ligação feita para casa, e no banco de trás havia um buquê de rosas. Ele havia comprado flores para mim, para a pessoa que não foi capaz de lhe sorrir ao acordar. Senti-me um lixo, o sentimento de culpa é o pior que uma pessoa pode carregar e muitas vezes ele perdura por toda a vida.

Daquele dia em diante não teve como minha vida não mudar. Durante todo o inverno eu vejo a imagem dele dentro do carro e todas as noites frias ele aparece em sonho me entregando um buquê de rosas, e com um sorriso triste me pede um beijo.


(conto escrito em 13.04.2003)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Pisando em terras britânicas

Após decidir fazer um intercâmbio em minhas férias para estudar inglês, quase de última hora, lá estava eu indo rumo à Inglaterra! Saindo de São Paulo, fiz escalas no Rio de Janeiro e em Lisboa até pisar em terras britânicas... praticamente um ‘pinga-pinga’!
Era o primeiro final de semana das férias de julho e os aeroportos transbordavam, com isso todos os vôos atrasaram. Fiquei algumas horas a mais em Lisboa, tempo suficiente para sentir a hospitalidade dos portugueses. A única pessoa simpática que cruzou meu caminho foi o atendente de uma lanchonete, que por sinal é um brasileiro que está batalhando praquelas bandas.
A chegada ao aeroporto em Londres estava prevista para as 18h20 e cheguei às 21h. Tive que encarar uma fila quilométrica para mostrar o passaporte e explicar porque estava lá, mas o pior estava por vir. Saindo do aeroporto, eu já estava na estação onde deveria pegar um trem para ir à estação onde eu pegaria outro trem até Bournemouth, a 170 quilômetros de Londres. Sim, eu estava aproveitando minhas férias para dar a volta ao mundo utilizando todos os meios de transporte! rs
Meu primeiro desafio nessa aventura foi chegar até a plataforma onde deveria esperar o trem. É claro que eu pedi informação, até cinco vezes para o mesmo funcionário da estação, mas quem disse que eu entendia o que ele falava?!? Entrei e saí do elevador algumas vezes totalmente sem rumo, até cruzar com uma alma caridosa (provavelmente não era uma alma britânica) que também não sabia o caminho, mas se dispôs a percorrer vários corredores até me posicionar no lugar certo e se livrar de mim.

Chegando à estação indicada pela mulher da agência de viagens que me vendeu o pacote (a melhor orientação da minha vida!), poucos minutos antes da meia-noite, a surpresa: não existia nenhum trem daquela estação para a cidade onde eu ficaria. Passou um filme na minha cabeça. Naquela hora já era para eu estar no meu “lar britânico” e ter dado notícias para minha família no Brasil, mas não! Eu estava com uma mala maior que eu e pensando que teria que procurar um hotel nas redondezas para passar a noite. E o pior, sem entender o que falavam... Já me imaginei sendo roubada (pensando positivo) e pedindo esmolas para sobreviver em Londres!