Após decidir fazer um intercâmbio em minhas férias para estudar inglês, quase de última hora, lá estava eu indo rumo à Inglaterra! Saindo de São Paulo, fiz escalas no Rio de Janeiro e em Lisboa até pisar em terras britânicas... praticamente um ‘pinga-pinga’!
Era o primeiro final de semana das férias de julho e os aeroportos transbordavam, com isso todos os vôos atrasaram. Fiquei algumas horas a mais em Lisboa, tempo suficiente para sentir a hospitalidade dos portugueses. A única pessoa simpática que cruzou meu caminho foi o atendente de uma lanchonete, que por sinal é um brasileiro que está batalhando praquelas bandas.
A chegada ao aeroporto em Londres estava prevista para as 18h20 e cheguei às 21h. Tive que encarar uma fila quilométrica para mostrar o passaporte e explicar porque estava lá, mas o pior estava por vir. Saindo do aeroporto, eu já estava na estação onde deveria pegar um trem para ir à estação onde eu pegaria outro trem até Bournemouth, a 170 quilômetros de Londres. Sim, eu estava aproveitando minhas férias para dar a volta ao mundo utilizando todos os meios de transporte! rs
Meu primeiro desafio nessa aventura foi chegar até a plataforma onde deveria esperar o trem. É claro que eu pedi informação, até cinco vezes para o mesmo funcionário da estação, mas quem disse que eu entendia o que ele falava?!? Entrei e saí do elevador algumas vezes totalmente sem rumo, até cruzar com uma alma caridosa (provavelmente não era uma alma britânica) que também não sabia o caminho, mas se dispôs a percorrer vários corredores até me posicionar no lugar certo e se livrar de mim.
Chegando à estação indicada pela mulher da agência de viagens que me vendeu o pacote (a melhor orientação da minha vida!), poucos minutos antes da meia-noite, a surpresa: não existia nenhum trem daquela estação para a cidade onde eu ficaria. Passou um filme na minha cabeça. Naquela hora já era para eu estar no meu “lar britânico” e ter dado notícias para minha família no Brasil, mas não! Eu estava com uma mala maior que eu e pensando que teria que procurar um hotel nas redondezas para passar a noite. E o pior, sem entender o que falavam... Já me imaginei sendo roubada (pensando positivo) e pedindo esmolas para sobreviver em Londres!
Chegando à estação indicada pela mulher da agência de viagens que me vendeu o pacote (a melhor orientação da minha vida!), poucos minutos antes da meia-noite, a surpresa: não existia nenhum trem daquela estação para a cidade onde eu ficaria. Passou um filme na minha cabeça. Naquela hora já era para eu estar no meu “lar britânico” e ter dado notícias para minha família no Brasil, mas não! Eu estava com uma mala maior que eu e pensando que teria que procurar um hotel nas redondezas para passar a noite. E o pior, sem entender o que falavam... Já me imaginei sendo roubada (pensando positivo) e pedindo esmolas para sobreviver em Londres!
Meu desespero foi tamanho que usei todas as palavras em inglês que aprendi em toda a minha vida e quando o vocabulário se esgotou (o que não demorou muito) caí no choro! O funcionário da estação que estava conversando comigo, e que também não deve ser britânico, se comoveu com meu drama e chamou um casal de funcionários para me ajudar. Me emprestaram o celular para que eu ligasse para minha “mãe britânica” (optei por ficar em casa de família) e avisar a confusão que me meti! rs Até hoje não sei como consegui conversar com ela, ainda mais no estado de nervos que estava!
No meio da confusão, um menino se aproxima e solta um “Você é brasileira?” Eu não sabia se já estava tão fluente que entendi perfeitamente a frase ou se era um anjo enviado por Deus para me socorrer! Segunda opção, era um anjo! Ele estava com um amigo e havia perdido outro... E encontrou uma perdida! Como um perdido ajuda o outro, ele foi meu tradutor e consegui pegar um trem que me levou até a estação onde eu deveria pegar outro.
Eu estava tensa, cansada, com fome, querendo um banho... Era madrugada de segunda-feira e eu estava viajando desde sábado à tarde! Ao chegar à estação onde deveria trocar de trem, o motorista do trem foi até mim (atendimento VIP! Que vergonha... rs) e me conduziu até um homem que estava segurando um papel com meu nome completo... bem cena de aeroporto! Fiquei tão feliz em ler meu nome, em ver que alguém sabia da minha existência e me esperava que nem me atentei a um detalhe: ‘quem era aquele homem??’
Entramos no carro dele e partimos. A viagem começou a se tornar longa e comecei a lembrar que eu deveria pegar outro trem. De repente me vi naquelas estradas estreitas de filme de terror, onde só tem árvores dos lados e mais nenhum carro para contar história! Senti que aqueles podiam ser meus últimos minutos de vida, já que ele sabia que eu era estrangeira e minha família nunca iria encontrar meu corpo naquele matagal. A única alternativa foi rezar, e bastante.
Ainda pensando em salvar a minha vida, tentei um diálogo. Não sei por que, mas ele tinha dificuldades em me entender. Tentei a ajuda do meu mega dicionário, mas a escuridão do carro não ajudava. Foi então que perguntei se ele conhecia a minha “mãe postiça” e ele respondeu que era marido dela. Noooosssaaa! Acho que nasci de novo com essa revelação! Eu já estava pensando que o cara fosse um serial killer...
Chegamos na casa quase 4h da madrugada e eu estava toda feliz que ia tomar um banho e dormir... Que ilusão! O cara me informou que só era permitido banho a partir das 6h da manhã... É, realmente eu havia chegado à Inglaterra!
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