“Eu preferia não ter dado esse furo.
Eu preferia que não tivessem duzentas pessoas lesadas,
que não tivesse acontecido essa história.”
Claudia Trimarco
“Eu trabalhava na TVE Regional fazendo algumas reportagens no período da manhã...” Foi assim que começou uma longa conversa com a jornalista Claudia Trimarco, responsável pela primeira matéria sobre o caso Rondon.
Claudia estava em um evento ocorrido na governadoria em abril de 1999, quando prestou atenção no diretor presidente do Previsul, Volney Ávila, que, na saída, estava conversando com uma jornalista colega de trabalho, e sentiu que tinha algo naquela conversa. Ela se aproximou e perguntou ao diretor se não havia nenhuma novidade no Instituto. “Nossa, menina! Hoje à tarde nós temos uma denúncia para descredenciar um médico: mutilação de mulheres!”, contou Volney. A resposta que a jornalista recebeu foi o suficiente para perceber que tinha algo de errado que precisava ser esclarecido.
Na volta para a TV, Claudia sentiu que deveria noticiar o caso. “Naquele dia me deu um estalo, eu achei que era o melhor a fazer”. Conversou com a diretora de programação da TVE Regional, pediu para fazer a matéria e para o pessoal do jornalismo da TV lhe acompanhar. Foram ela, o jornalista Edson Godoy e a equipe de câmeras.
Claudia fez uma reportagem ao vivo para a rádio de dentro da sala do diretor Volney Ávila com um dos advogados que estava denunciando o médico, e depois fez uma reportagem pelo lado de fora, um boletim, contando o assunto. O advogado era pai de uma jovem que tinha sido uma das vítimas, uma menina de apenas 16 anos, e esse foi um dos motivos que fez com que a jornalista percebesse a gravidade do assunto. O médico acusado, Alberto Jorge Rondon de Oliveira, era um ex-deputado estadual e foi candidato a prefeito.
Ao final da tarde, depois de fazer a reportagem, a jornalista teve a preocupação de ir ao Fórum, pois, como ela tinha feito uma denúncia no ar, precisava saber o que tinha de registro a respeito do médico. “Qualquer pessoa pode fazer isso, é só dar o nome completo de alguém e pedir para fazer uma busca”, explica Claudia Trimarco. Ela encontrou uma ação em que a pessoa esperava a confirmação de provas para depois pedir os danos moral e material. Essa foi a única acusação encontrada, fora algumas de banco, a própria separação dele e outras questões comerciais.
Enquanto Claudia foi para o Fórum, combinou com o jornalista Luiz Chagas – já falecido -, que trabalhava na parte da produção, que ele ligaria no CRM – Conselho Regional de Medicina - para confirmar como Alberto Rondon estava credenciado, e nessa ligação eles ficaram sabendo que o médico havia se credenciado como clínico geral, e não como cirurgião plástico. Depois ela foi pessoalmente ao CRM e conversou com o diretor presidente na época, Sérgio Furlani.