Comemorei mais uma virada de ano,
graças a Deus. Nem todos conseguiram isso. Isso já é um motivo para comemorar,
sim. Principalmente se você tem saúde, família, amigos, emprego e consegue dar
boas risadas dos problemas da vida. Parece papo de mãe, ou daquela tia que te
visita vez ou outra, mas a cada ano é mais perceptível como elas estão certas.
No entanto, as coisas não vão se
transformar como magia só porque bateu meia-noite do dia 1º de janeiro... algo
parecido, que eu me lembre, aconteceu apenas na estória da Cinderela, e ainda teve
efeito negativo. Mas é fato que sentimentos de esperança e motivação se acendem
dentro de muitas pessoas nessa época.
Todo começo, de tudo, traz uma
sensação de que será diferente, melhor, uma nova etapa. E é nesse clima que
listas são criadas, mesmo que mentalmente, com objetivos, desejos, metas e até
as pendências do ano anterior, para que, desta vez, tudo seja diferente, “saia
do papel”.
Ok, você está disposta a fazer
tudo diferente e começa o ano no gás! No segundo dia de janeiro está
praticamente tudo parado, provavelmente influenciado pela ressaca da virada.
Mesmo que você queira começar seu ano acelerada, não dá. Então fica para o
outro dia... e você acaba observando que só consegue começar a riscar sua
listinha na segunda semana do ano, quando as coisas estão voltando, lentamente,
ao normal.
A terceira semana já traz o dia
20, que, neste ano, fiquei sabendo que é considerado o dia
mais triste do ano, segundo o estudo do psicólogo da Universidade de
Cardiff, no País de Gales, Cliff Arnall. Não sei se foi coincidência ou a
notícia influenciou meu subconsciente, mas à noite eu fiquei bem chateada.
Porque, de acordo com a pesquisa acontece “queda da motivação e uma crescente cobrança
para realizar coisas” nesta data. E foi então que observei que ainda não havia
conseguido riscar itens importantes na minha listinha, não havia fugido da rotina
ou feito algo diferente.
Os dias não desaceleram e o mês
acaba. Ainda me agarro à sensação de que “vou começar fevereiro diferente,
janeiro foi uma adaptação ao novo ano”. Mas enfim, faltam algumas horas do sexto
dia do segundo mês acabar, um dia com muitos planos abalados por meia hora numa
agência bancária para tentar resolver um problema que me causaram, mais meia
hora na tentativa de solucioná-lo pelo internet bank e mais meia hora no
telebanco. E assim mais um dia é riscado do calendário, sem eliminar pendências
ou conseguir algo novo. E você? Como tem lidado com seu desejo de mudança?