Estava apreensiva com o que iria encontrar no meu primeiro dia de trabalho na terceira maior metrópole do mundo... pelo menos essa foi a informação que encontrei no site Infoescola.
Minha tensão era tamanha porque uma amiga me alertou várias vezes sobre a grande probabilidade de ser esmagada no metrô. Depois, eu não tinha noção de como seria a agência em que iria trabalhar, qual a função iria exercer e nem onde eu iria almoçar – o que se torna muito, mas muito importante, quando você tem apenas 15 minutos de intervalo.
O dia passou rápido com o bombardeio de novidades. A agência que fui trabalhar parecia um labirinto e senti que um mês não seria suficiente para decorar todos os lugares. Nem preciso dizer que os nomes e funções de cada um da equipe também foram praticamente impossíveis de serem armazenados.
Na volta, o “tão esperado” momento realidade de São Paulo aconteceu: era 17h30 e o metrô estava lotado, então resolvi esperar o próximo. Nem cinco minutos depois chegou outro vagão (quanta eficiência! rs). Ainda não estava muito vazio como eu queria, mas imaginei que naquele horário seria impossível que meu desejo fosse atendido e achei melhor encarar... estava cansada e não via a hora de chegar em casa...
Comigo entraram mais não sei quantas pessoas que terminaram de preencher o pouco lugar que estava vago. Isso não era nada perto do que me esperava. Por mais que estivesse cheio ainda dava para respirar, então fiquei tranqüila, já que na próxima estação não poderia entrar mais ninguém devido a lotação. Terrível engano: as portas se abriram e onde não parecia caber mais ninguém, entraram umas 20 pessoas!
Todos se empurravam como se aquele fosse o último vagão do dia. Fui literalmente esmagada. Perto do meu rosto havia uma mão de mulher com as unhas pintadas de azul claro, mas não consegui identificar quem era a dona daquela mão. Eu estava completamente torta, acho que meu corpo devia estar numa posição inédita, tentando desviar de bolsas e outros corpos. Foi uma situação para refletir...
Lembrei da minha volta para casa na semana anterior... dentro do meu carro, ouvindo um som... às vezes até comendo algo... Lembrei também do meu pai e suas advertências sobre minha mudança para São Paulo. Essa foi a pior parte: estar esmagada naquele metrô e com tudo o que meu pai falou martelando na minha cabeça! Fiquei pensando se aquilo era realmente a melhor solução, se era o que eu queria para minha vida.
Para minha sorte, na linha verde (que fui sumariamente esmagada) ando apenas duas estações e já faço baldeação na linha azul. Para situar os que não são íntimos com esse transporte público: baldeação é quando trocamos de linha (direção) de metrô sem precisar sair da estação e nem pagar outra passagem. Logo saltei daquele vagão e quando entrei no da linha azul as coisas melhoraram.
Depois de algumas estações, muitas pessoas desembarcaram e consegui até sentar. Vi muitos lendo, até mesmo as pessoas que estavam em pé. Observei que uma garota nem se segurava enquanto lia uma espécie de gibi japonês. Claro que isso deve ser muito treino e anos de metrô!
Cheguei em casa inteira e senti que minha aventura na 'selva de pedras' estava apenas começando... com certeza não é o que eu quero para minha vida, mas é um caminho a ser percorrido.
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