sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Convite de amigo

Havia se passado uma semana desde o último encontro com o velho amigo. Já sabia das transformações na vida dele, mas não imaginava o que estava por vir na minha...

Na semana anterior, pelo msn, conversei com um amigo que conheço há tempos, mas que também há tempos não nos falávamos. Combinamos de ir num barzinho para ouvir Beatles e colocar a conversa em dia. Lá pelas tantas, ele me confessou que sua vida havia mudado completamente. Ele não bebia mais, não fumava... tinha realmente “encontrado Jesus” como alguns dizem. Não tentou me converter. Só contou as formas de manifestação do Criador por insistência minha. E eu respeitei sua nova opção, apesar de não conseguir me convencer de tudo o que ele contou, mas... cada um com suas crenças.

Pois bem, voltemos à semana atual. Voltando do trabalho, ele me ligou e logo veio com um convite!
- Vai fazer o que no sábado?
Até então eu não tinha nada programado...
- Vamos numa balada??? Convidou ele.
Eu mais que depressa soltei um: “Opa! Vamos sim!”
O problema é que eu concordei antes dele terminar a frase...
- Uma balada santa!!!
Ops! Agora já havia aceitado...

Que Deus me perdoe, mas não sou uma pessoa muito aberta a novas experiências religiosas. Porém, em respeito a Deus e consideração ao meu amigo, resolvi manter minha afirmativa. Afinal de contas, independente da religião, rezar não faz mal a ninguém...
 

Sábado, horário combinado, ele passou em casa. Demos carona à tia dele e fomos para o culto evangélico, numa casa em um bairro distante. Bom, como o culto tinha a duração de uma hora, marquei um rodízio de pizza com uma amiga logo após. Começando às 19h, no máximo às 21h eu já estaria degustando pizzas de diversos sabores.

Chegando lá, juntamente com os pastores, ficamos esperando mais fiéis para o culto e ouvindo os comentários sobre o último churrasco feito para eles. Foi lá que ouvi pela primeira vez que “crente come mais do que quem não é crente”, pelo fato de não consumir bebidas alcoólicas. Realmente isso faz sentido! Os minutos foram passando e nada de chegar mais fiéis. O jeito foi começar o culto com quem estava ali mesmo, que somando os pastores, quem já havia chego, a dona da casa, eu e meu amigo, dava umas 15 pessoas no máximo.

De início já me senti deslocada. Todos ficaram de joelho no chão e escorados no assento da cadeira, com a cabeça baixa, emitindo uns murmúrios. Considerei que estavam rezando. Eu não me mexi do assento. Não ia imitá-los, mas também não queria ser a única a ficar em posição diferente, e essa situação parecia demorar uma eternidade. Na abertura do culto já começou uma gritaria que perdurou por quase todo o tempo restante. O pastor gritava no microfone dentro de uma sala minúscula e a ‘mega’ platéia respondia com mais gritos. Não foi necessário mais de meia hora para começar a sentir uma bela dor de cabeça.

Eu, como sou uma pessoa discreta e principalmente ali queria estar invisível, escolhi uma cadeira meio afastada para ficar de telespectadora. Não consegui muito longe, porque o local era pequeno e não me permitia tal regalia. Não demorou muito para duas mulheres que estavam na primeira fileira começarem a se manifestar. Elas choravam, caiam no chão, tampavam o rosto na parede...

O pastor parecia um jogador de basquete americano. Um negão de uns dois metros de altura que gritava o tempo todo, muitas vezes em outra língua, que talvez ele tenha inventado na hora. O grande problema era na hora de ler os trechos da bíblia. O pastor era semi-analfabeto e um parágrafo durava no mínimo dez minutos. Lá pelas tantas, quando as mulheres já haviam caído no chão algumas vezes, ele aponta o dedo na minha direção e solta um “venha cá você!”

Nossa! Até a ponta da unha do dedinho do pé tremeu nessa hora. Não podia ser eu! Dei aquela olhada para trás para ver quem era o pobre coitado que o pastor chamava, e ele insistiu com o dedo na minha direção. Aí que a tremedeira aumentou! E ele me chamou aos gritos! Fui caminhando contra a minha vontade até o ‘palco’, com o cuidado para não pisar nas mulheres caídas no chão, e o pastor pregou a enorme mão na minha cabeça! A dona da casa já se posicionou com os braços abertos atrás de mim, para me segurar se eu caísse. Eu cair??? Tá louco! Só se fosse de ataque no coração! Caísse morta mesmo!

Meu coração queria saltar pela boca, minhas pernas estavam bambas, minha respiração ofegante! Foi a pior sensação da minha vida! E o negão gritando no meu ouvido e balançando minha cabeça! Não me perguntem o que ele gritava, porque eu bloqueei totalmente minha audição e só conseguia pedir a Deus para me tirar daquela situação. Realmente acho que foi o dia que mais rezei na minha vida, desesperadamente!

Tirada a enorme mão da minha cabeça, voltei para o meu lugar com as pernas tremendo. Lancei um olhar fuzilante para meu amigo e percebi que já seriam 22h e eu ainda não estava saboreando uma pizza, ao contrário, estava numa sessão tortura e nem tinha como avisar minha amiga. Logo depois, meu amigo também foi chamado pelo pastor para receber os sermões. Outra preocupação. Se ele caísse, eu ia demorar mais ainda para ir embora, já que eu estava de carona com ele. A sorte é que como o pastor mesmo falou “a fé dele estava fraca”.

Para finalizar, meu amigo deu carona para os pastores. Eu estava prestes a bater nele se ele resolvesse convidá-los para a pizza! Ainda bem que ele não cometeu essa loucura. Por sorte, minha amiga não desistiu do meu convite e fomos comer pizza às 22h30. Depois fui para uma balada de verdade! Naquele dia, mais do que em qualquer outro, eu precisava ouvir um bom rock e tomar uma cerveja para relaxar.
                                                                                                         
                                                                                (escrito em 17/09/2008)

Nenhum comentário:

Postar um comentário