terça-feira, 29 de novembro de 2011

Menino da favela

                
O nascimento do primeiro filho
A esperança de renovação
Um parto difícil, mas um resultado satisfatório
Uma criança inocente entregue a um mundo cão
Os tiros da favela que assustavam o bebê
Hoje são canções de ninar
É necessário se adaptar
Os anos passam
Alguns presentes ficam na vontade do menino
Tem o sonho de ler
Sua mãe passa horas na fila por uma vaga na escola
Dorme na fila
O pai considera uma tola ilusão
“Menino da favela não precisa estudar!”
A mãe luta para provar o contrário
A criança sonha...

Seu primeiro dia de aula
Um largo sorriso volta para casa
E acalma o coração de uma mãe
Que não pode lhe dar os presentes que pede
Que não teve a oportunidade de estudar
Uma criança dedicada
O barulho dos tiros não lhe afeta
O alcoolismo do pai o incomoda
O vestibular o espera
Já sente-se preparado
Quer ser “doutor”
Grande sonho de sua mãe
No grande dia
Sua mãe não volta com os pães para seu café da manhã
O relógio não pára
Medo de perder a hora para a disputada vaga na universidade
Procura a mãe
Não quer mais os pães
No meio do caminho
Tiroteio no morro
Sua mãe caída no chão
Um tiro na cabeça
Os pães em suas mãos
O sentimento de revolta toma conta do menino sonhador
A única pessoa que acreditou em sua capacidade
A jóia mais valiosa de sua vida
Em sua frente vê seu amigo
Com um revólver nas mãos
E um olhar de arrependimento
“Não era para acertar nela!”
Um grito ensurdecedor
Lágrimas derramadas
Um furioso pulo em cima do assassino
Mais tiros foram ouvidos
Um sonhador caído no chão
O garoto não será mais doutor
Neste momento, outra criança inocente nasce
Para ser entregue ao mundo cão.
(escrito em 29.07.2005)

                                                                                                    

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