segunda-feira, 15 de julho de 2013

Médico ou Monstro?


O dono da Fábrica de Sonhos que desmoronou...
...ou o responsável pela Máquina de Ilusões?


Alberto Jorge Rondon de Oliveira, filho de Agnol Carneiro de Oliveira e Yone Rondon de Oliveira, nasceu em 19 de setembro de 1956, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. É brasileiro, divorciado, portador da Cédula de Identidade R.G. n.º 1031-CRM/MS e do Cadastro de Pessoa Física CIC n.º 403.295.937 – 49 e ex-clínico geral.

Em 1988 foi o mais votado para vereador na Capital pelo PL -Partido Liberal -, mas não se elegeu. Rondon foi deputado estadual pelo PPB - Partido Progressista Brasileiro -, presidiu o diretório municipal do partido e se candidatou a prefeito de Campo Grande, mas não chegou ao 2º turno. Sua última tentativa eleitoral foi em 1994, com uma frustrada candidatura a vice-governador do Estado. Formado em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1980, Rondon começou a exercer a especialidade de cirurgia plástica em 1981, e trabalhou em Mato Grosso do Sul durante mais de vinte anos, porém ser ter feito especialização na área.

Rondon dizia ter cursado medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro e feito residência médica com especialização em cirurgia plástica no Hospital Geral do Bonsucesso, no Rio de Janeiro. Porém, por fax, Alberto Rondon foi desmentido. A diretora-geral do Centro de Aperfeiçoamento do Hospital Geral de Bonsucesso (RJ) na época, Maria José de La Nuez, negou, no dia 29 de abril de 1999, a veracidade da declaração que Rondon usou para se credenciar no Previsul – Instituto de Previdência de Mato Grosso do Sul – como cirurgião plástico. Ela informou também que ele cumpriu o programa de residência médica em cirurgia geral de 5 de março de 1981 a 4 de março de 1983, mas nunca na especialidade de cirurgia plástica. E, além do mais, o hospital jamais forneceria uma declaração dizendo que um aluno obteve bom aproveitamento, como consta na cópia anexada ao cadastro de Rondon no Instituto.

Em abril de 1999, Rondon foi denunciado por um grupo de mulheres formado por funcionárias públicas. Logo que estourou a notícia das mutilações, o número de vítimas cresceu assustadoramente. O presidente do Previsul, Volney Ávila, suspendeu o credenciamento de Rondon na Instituição até o fim do inquérito administrativo aberto para apurar as denúncias. E o presidente do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande – IMPCG – Moacir Roberto Sales, agiu da mesma forma, até que o CRM fizesse um pronunciamento oficial sobre as denúncias. Rondon era credenciado no IMPCG desde 1983 como cirurgião plástico e, segundo Sales, nunca havia tido reclamação contra ele.


O Previsul acusou o médico de cobrar indevidamente por cirurgias estéticas, quando tinha autorização apenas para retirada de nódulos. Segundo um levantamento elaborado pelo órgão, só no ano de 1998 foram atendidas por Rondon 653 mulheres, porém não foi possível saber ao certo o número de cirurgias realizadas. Entre março de 1997 e março de 1999, o médico realizou 69 operações nos seios e 24 no abdômen de mulheres conveniadas ao Previsul. Em 1998 foram 69 cirurgias plásticas de mama, 24 de abdômen, uma correção de bolsa nas pálpebras e 917 atendimentos, conforme relatório do Previsul divulgado na época.

Nos meses de junho e julho de 1999, Rondon esteve foragido, não sendo encontrado por oficiais de justiça que precisavam notificá-lo pelas ações abertas pela Defensoria Pública da Mulher. De acordo com Volney Ávila, o médico teria agravado os resultados dos exames, informando que haveria suspeita de nódulo mamário nas pacientes.

Resultado, o Conselho Federal de Medicina – CFM – cancelou o registro profissional do clínico geral, acusado de ter causado mutilações em pelo menos 130 mulheres durante cirurgias realizadas em Campo Grande (MS). De acordo com a emissora de televisão TV Morena, Rondon teve o diploma cassado pela primeira vez em 16 de dezembro de 2000 e entrou com recurso no CFM contra a cassação; porém, em 17 de fevereiro de 2001 foi cassado pela segunda vez.

Em matéria publicada no dia 29 de março de 2005 em um site1 da cidade, o juiz Vladimir Abreu da Silva, que era titular da 2ª Vara de Fazenda Pública de Campo Grande, considerou que o governo do Estado foi responsável objetivo pelos danos causados por Alberto Rondon nas cirurgias plásticas que ele realizou, em pacientes conveniadas ao extinto Previsul.

O Governo tentou argumentar que não contribuiu para os resultados causados por Rondon, e sustentou que o papel do órgão era custear cirurgias reparadoras e não estéticas, como a maioria das mulheres fez. Porém, no entendimento do juiz, o governo “tinha o dever legal” de exigir do médico a comprovação da especialidade em cirurgia plástica, pré-requisito para que pudesse atuar nesta área da medicina, antes da celebração de convênio. Para o juiz, a aceitação do profissional no quadro sem a prova foi “patente negligência”.

No depoimento, no dia 9 de setembro de 2003, na Comarca de Campo Grande, Estado de Mato Grosso do Sul, às 13 horas, no Edifício do Fórum local, Sala das Audiências da 4ª Vara Criminal, na presença do juiz Dr Joviano de Rezende C. Caiado, Alberto Rondon respondeu a várias perguntas. Explicou que algumas pacientes eram portadoras de gigantomastia – excesso de mamas -, outras de flacidez e suspensão das mamas, e, em relação ao sangramento apresentado no pós-operatório imediato, disse que é aceitável dentro dos parâmetros clínicos e foi devidamente controlado por ele. Segundo Rondon relatou no depoimento: - “defeitos de cicatrização” são mais comuns em pessoas de pele “escura”, como foi o caso de algumas pacientes”. Outras com displasia mamária, o médico afirmou que a correção nem sempre é realizada somente através da redução do tecido mamário, mas sim com acompanhamento ginecológico através de tratamento hormonal.

Ele acusou muitas pacientes de não retornarem ao consultório e o fizeram somente após muito tempo, sem seguir as orientações prescritas. Com relação às pacientes que sentiram os movimentos de braços e pernas prejudicados após a cirurgia, o médico explicou que, em muitos casos, devido à retirada de grande parte de tecido, ocorre da cicatriz se estender até a região das axilas e virilha, tornando-se necessárias sessões de fisioterapia, o que as pacientes não fizeram, apesar de terem recebido um “livreto” com todas as informações.

Em relação ao surgimento de nódulos, Rondon afirmou não haver ligação alguma com a cirurgia plástica. Relatou também que os vermelhidões no pós-operatório de cirurgias de pálpebras eram comuns em um período inicial devido a exposições ao meio ambiente. Falou ainda que as cicatrizes alargadas ocorrem por esforço indevido e possíveis cuidados inadequados de higiene no período pós-operatório imediato.

Rondon ressaltou no depoimento que as pacientes submetidas à cirurgia plástica foram devidamente orientadas de maneira verbal e escrita em relação a operação, aos cuidados a serem tomados no pós-operatório e aos retornos ao consultório para a retirada dos pontos e acompanhamento do processo de cicatrização. Alertou que esse período deve ser rigorosamente de, pelo menos, seis meses e, nos casos de algum “defeito” de cicatrização, esse tempo aumenta para até dois anos.

O médico também aproveitou para desabafar que, em um momento de sua vida profissional, um determinado grupo de funcionárias públicas desencadeou um movimento político contra ele, porque havia recém participado da campanha política de Pedro Pedrossian, adversário político do atual governador José Orcírio Miranda dos Santos, Zeca do PT, que havia sido eleito no final do ano de 1998, acarretando no surgimento das denúncias no ano de 1999.

Estive com documentos de Alberto Rondon em mãos. Vários certificados de congressos e cursos que realizou na área de cirurgia plástica, porém esses documentos não o transformam em um profissional especializado na área. Para obter o certificado de um curso é só pagar a inscrição e ter presença nas palestras.

Levando em consideração que muitas datas não “bateram”, alguns documentos me chamaram a atenção. Um era o diploma de cirurgia geral no Hospital do Bonsucesso, finalizado em 1983 – que ele era clínico geral não havia dúvidas -, outro era uma declaração – não um diploma – de que ele havia realizado residência em cirurgia plástica no mesmo ano. No entanto, conversando com Sérgio Furlani, este me afirmou o que eu já desconfiava. Não se pode fazer duas residências – cirurgia geral e cirurgia plástica – ao mesmo tempo, pois uma residência exige dedicação total do aluno.

Em uma ligação à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica –SBCP – obtive a informação que, após a formação, o médico precisa fazer dois anos de residência, para então se especializar na área de sua preferência.  Recapitulando: Rondon se formou em medicina no ano de 1980 e concluiu a residência em cirurgia geral em 1983. Como que em 1983 ele já era cirurgião plástico? Resultado: a falta de especialização divulgada na época das denúncias prevalece. Contudo, não se pode esquecer que, a partir do momento em que a pessoa se forma em medicina, está habilitada para realizar qualquer cirurgia, desde que o paciente esteja ciente da sua especialização, ou da falta dela.

Para informar, de acordo com o Código de Ética Médico2 é vedado ao profissional:

Art. 29 - Praticar atos profissionais danosos ao paciente, que possam ser caracterizados como imperícia, imprudência ou negligência.

Art. 32 - Isentar-se de responsabilidade de qualquer ato profissional que tenha praticado ou indicado, ainda que este tenha sido solicitado ou consentido pelo paciente ou seu responsável legal.

Art. 34 - Atribuir seus insucessos a terceiros e a circunstâncias ocasionais, exceto nos casos em que isso possa ser devidamente comprovado.

Art. 36 - Afastar-se de suas atividades profissionais, mesmo temporariamente, sem deixar outro médico encarregado do atendimento de seus pacientes em estado grave.




9º Capítulo do Livro
 "Profundas Cicatrizes - Caso Alberto Rondon"





1 site www.campograndenews.com.br - último acesso em 10 de outubro de 2005 às 21h.
2 site www.portaldomedico.org.br - visitado em 07-08-2005 às 17h45min.

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