Em toda sexta-feira 13 eu me lembro de minha mãe. Ela é supersticiosa e se dependesse dela ninguém sairia de casa nesse dia. Enfim, o dia 13 caiu na sexta-feira e ela não devia ter lembrado desse detalhe, já que eu iria pegar o avião sem nenhum comentário de advertência. Talvez ela preferiu não correr o risco de perder a visita da filha.
Mesmo tendo consciência do trânsito e das distâncias em São Paulo, arrisquei um chopp antes de ir para o aeroporto. Conversa agradável, chopp gelado e relógio correndo... Saí do bar às 19h e meu vôo iria decolar às 20h07. Às vezes tenho a sensação de que gosto de viver perigosamente, já que às 19h20 eu ainda estava dentro do metrô lembrando que não tinha sacado dinheiro para recorrer a um táxi.
A minha sorte é que meu anjo da guarda não brinca em serviço e me arrumou um táxi que aceita cartão, parando no mesmo instante em que saí do metrô. O taxista compreendeu meu desespero e pegou as melhores rotas! Só relaxei ao entrar no avião! Ufa! No final tudo deu certo! Ou quase... rs
Como nessa época do ano as passagens estão ‘salgadas’ tive que fazer conexão em Brasília. Cheguei ao aeroporto 15 minutos antes do embarque... e a tensão continuava. Ainda na maré de sorte, o vôo estava atrasado e consegui comer uns pães de queijo. Passava das 22h e eu lembrei que estava sem janta. Aproveitei também para ligar para minha irmã e avisar do atraso. Ela falou que estava “caindo o céu” de tanta chuva na minha cidade, Campo Grande-MS, mas sinceramente não me preocupei com essa informação. Logo pararia...
Embarque imediato. Todos os passageiros devidamente acomodados e a comissária pede para que 10 voluntários sentem no fundo do avião para equilibrar a aeronave. Mais do que depressa me levantei e segui para a antepenúltima fileira, já que era para o bem geral do avião. Ao sentar, lembrei-me do filme “Premonição”, onde algumas pessoas trocam de lugar no avião... Foi um pensamento bobo e rápido. Eu estava entretida nas minhas leituras e o vôo chegava ao destino quando o piloto começou a avisar do mau tempo e que iria sobrevoar a cidade até conseguir pousar.
Tudo bem, imaginei que seria jogo rápido e continuei minha leitura. Depois de um pouco de turbulência, relâmpagos e meia hora sobrevoando Campo Grande, o piloto avisou da situação tensa e da decisão de retornar a Brasília. Nossa! Por essa eu não esperava! Já estava acostumada com minha ponta aérea São Paulo – Campo Grande, entre outras, e nunca havia passado por isso. É uma sensação de estar presa em uma caixa. Não dá para sair, para pedir para descer e nem ao menos fazer uma ligação para a família! Como não tinha o que fazer e tentando esquecer a situação, resolvi dormir. Raramente algo me tira o sono e dependendo do que acontecesse, acho que seria melhor estar dormindo mesmo...
Chegamos a Brasília e fomos acomodados em um hotel para pegar o próximo vôo a Campo Grande, no dia seguinte às 11h. Todos os planos que eu tinha para a manhã de sábado foram por água abaixo. Já eram 3h e a aventura continuava. Ao entrar no quarto do hotel, ouvi uma voz quando coloquei o cartão (usado como chave) no suporte da parede. Calma, era a televisão que alguém havia deixado ligada.
Após trancar a porta fui reparar na televisão que estava meio dessintonizada e me deparei com o filme “O Chamado” na cena em que a menina está saindo da TV! Nossa! Era o único filme que não poderia estar passando naquele momento! Sempre gostei de filmes de terror, mas aquele filme, naquele momento, naquele hotel, me deixou ‘levemente’ assustada!
Troquei de canal de olhos fechados porque me recusei assistir mais um segundo sequer daquela cena. Por sorte encontrei um programa de entrevista onde participava a Zélia Duncan e consegui relaxar. Foi difícil pegar no sono, acho que eu estava acelerada com tantos acontecimentos inusitados. Era para eu estar dormindo na minha caminha macia... E estava em um hotel em Brasília!
No outro dia um ônibus foi buscar a todos que estavam com o vôo para Campo Grande ‘pendente’. Ao chegar ao aeroporto, tivemos que nos direcionar a três portões de embarque diferentes até finalmente avisarem que a aeronave estava retida na pista devido ao mau tempo em Campo Grande, e não tinha previsão de embarque. A novela continuava.
Como ouvi uma das passageiras falando da possibilidade de irmos de ônibus, liguei para uma amiga que trabalhou na Gol e pedi que ela se informasse sobre a probabilidade de melhoria no tempo. Não sei se ela quis me consolar, ou me acalmar, mas falou que a previsão era de melhoras. Finalmente conseguimos decolar ao meio-dia e meia e, melhor, conseguimos pousar em Campo Grande!
Se eu tivesse enfrentado as 14 horas de viagem (São Paulo – Campo Grande) dentro de um ônibus teria gastado menos ($$) e chegado ao meu destino antes, mas quem vai saber quando São Pedro decide se revoltar. Na volta, a comissária veio com o mesmo papo do voluntariado para a troca de lugares. Dessa vez, achei melhor não me mover do meu assento.
kkkkkkk... "O chamado" foi foda! Eu não ia ter conseguido dormir! Mas no fim deu td certo! O sábado foi lindo, rimos mto e matamos um pouco a saudade! Se cuida aí maninha! Amo vc! Bjs
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