É comum ouvir as pessoas dizendo que estão felizes ou condicionando a felicidade a algo que elas procuram, como um bom emprego ou uma união estável, entre outros desejos. Mas... A felicidade é um estado momentâneo de espírito ou está relacionada a um conjunto de fatores como amizade, condição financeira e relacionamento amoroso?
“Resumidamente pode-se dizer que felicidade é um estado de humor, uma emoção experimentada de maneira subjetiva que tem como característica a sensação de bem-estar, de completude, de prazer”, explica a psicóloga Senir Pereira, especialista em Psicoterapia de Orientação Analítica.
A psicóloga explica que este estado é disparado por eventos do cotidiano das pessoas como encontrar alguém que gostamos muito, ganhar um presente, receber uma boa notícia, etc. “Porém todos nós temos um “reservatório” que deve ser construído ao longo da vida. Cada experiência que vamos tendo de relacionamento familiar saudável, de relacionamentos afetivos duradouros, de realizações pessoais e profissionais é como se fossem abastecendo esse nosso 'reservatório de bem-estar'”, acrescenta Senir.
Nos últimos anos, cada vez mais pesquisadores - filósofos, teólogos, psicólogos e cientistas sociais - têm tentado descobrir o que nos faz felizes. A maioria das respostas está relacionada ao dinheiro. Afinal, sempre vai existir a famosa pergunta: Dinheiro traz felicidade? Alguns comediantes gostam de responder que dinheiro não traz, mas manda buscar!
Deixando a piadinha de lado, um estudo sobre o assunto, publicado por Betsey Stevenson e Justin Wolfers - economistas da Universidade da Pensilvânia -, afirma que sim, que pessoas ricas costumam ser mais felizes que pessoas pobres, mas nações ricas não são mais felizes que as pobres. Estranho, mas explicável. De acordo com o estudo, o que faz a pessoa feliz não é ter um salário, mas ser o mais rico da turma. Essa constatação abalou a teoria do economista Richard Easterlin (1974), que publicou um estudo que garante não haver associação entre dinheiro e felicidade.
Segundo o psicanalista S. Freud (1974), é praticamente impossível conceber um ser humano plenamente feliz. Por essa afirmação, pode-se concluir que ninguém vive em um mundo perfeito e que sempre existirá obstáculos no caminho, em todos os setores da vida. Isso é explicado na matéria publicada na revista Super Interessante – A busca da felicidade (abril/2005), onde revela que a felicidade é breve. É um estado no qual não temos vontade de mudar nada. Ou seja, se passássemos tempo demais assim, nossas vidas estacionariam. A busca da felicidade é o que nos empurra para frente, buscando situações melhores. Portanto, um pouco de ansiedade, de insatisfação, é perfeitamente saudável. Como afirmou o escritor e psicólogo americano Robert Wright: “Felicidade é projetada para evaporar”.
Sendo a vida feita de altos e baixos, cada pessoa consegue atingir a felicidade de acordo com seus desejos. Uma pessoa que tiver um grande número de desejos pode demorar mais para se sentir feliz do que alguém que tenha poucos. Resumindo, existem duas maneiras de alcançar a felicidade: possuindo mais ou desejando menos. “Felicidade para mim é você estar de bem consigo mesma. É se aceitar e aceitar as pessoas com quem convive, com seus defeitos e qualidades. Sempre olhar o lado bom que a vida oferece e estar em comunhão com Deus”, declara Josiane Abath ao ser questionada sobre a felicidade.
Para aqueles que acreditam que ganhando na “Mega Sena” sua vida seria perfeita ou seus problemas teriam fim, a notícia não é muito animadora: Em 1978, foi realizado um estudo com ganhadores da loteria que mostrou que esses felizardos têm picos de felicidade logo após o prêmio, mas tendem a voltar aos níveis anteriores alguns meses depois. Mas mesmo sabendo disso, fica difícil recusar o prêmio.
Em relação à saúde, um estudo realizado por cientistas holandeses da Universidade Erasmo de Rotterdã afirma que a felicidade protege contra doenças além de assegurar a longevidade. O professor Ruut Neenhoven, responsável pela pesquisa, informa que a felicidade pode ajudar a aumentar entre 7,5 e 10 anos o tempo de vida. “A felicidade protege as pessoas que têm boa saúde das doenças, o que indiretamente aumenta os anos de vida”, acrescenta. Ele explica que isso acontece porque as pessoas felizes têm tendência a vigiar seu peso e os sintomas das doenças, a fumar menos e beber menos álcool. “Normalmente são pessoas mais dinâmicas, mais abertas ao mundo, confiantes e com mais relações sociais”, conclui.
Para finalizar, a psicóloga Senir revela que hoje as pessoas vivem buscando a felicidade e por mais que já tenham adquirido tudo aquilo que é associado à ela, vivem frustradas. “Todas estas aquisições - um bom emprego, dinheiro, e até um grande amor - são necessárias e bem-vindas, mas como um complemento àquilo que já construímos dentro de nós de valorização do que somos, do que temos, de satisfação, de plenitude e de felicidade” declara.
*Texto escrito em outubro de 2009 e encontrado agora, durante uma limpeza na caixa de e-mails.
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